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Crimes na internet. Até quando?

Nas últimas semanas observamos dois exemplos de utilização da internet na área criminal. Um positivo, outro negativo.

O positivo veio da Inglaterra, onde a polícia usou o facebook para descobrir possíveis pistas de um assassino. Leia reportagem aqui. Sabemos que a atividade policial é baseada em informações, indícios e perícia. Que lugar melhor que a internet para nos trazer possíveis pistas, dicas e informações? Pessoas conectadas a outras pessoas, cada qual com sua singularidade, mas com objetivos comuns de coletividade. Uma força realmente poderosa.

Mas, será que as pessoas sabem desta força?

Creio que ainda não. As pessoas não aprenderam que unidas tem força e separadas estão a mercê das empresas. Iremos publicar daqui alguns dias alguns exemplos práticos de twitter, onde explicitamos o poder que esta ferramenta tem diante de fornecedores inadequados. Não apenas o twitter, mas facebook, orkut, entre outros podem representar um marketing muito forte.

Se como coletividade temos força, porque não canalizar para o bem social?

Conforme a notícia, a iniciativa de usar o facebook para informações já deu resultado prático. Esperamos que continue assim em todo o mundo e não apenas na Inglaterra.

Infelizmente o exemplo negativo vem do Brasil. Crackers anunciam abertamente no UOL que não temem terem derrubado o site da presidencia porque as leis no Brasil não existem em relação a internet. Leia a notícia aqui.

O pior é que eles tem razão.

Ainda utilizamos leis antigas, a exemplo do código penal de 1940, para tratar dos crimes existentes. Como aqui o crime tem que ser tipificado, ou seja, sem o tipo penal não existe crime, enquanto os legisladores se preocuparem em aumentar seus salários ao invés de trabalharem para o povo, teremos leis inócuas ou inexistentes.

Precisamos urgente tipificar os crimes na internet. Ao atrair uma pessoa pela internet e tentar lhe assassinar, no Brasil podemos ter uma tentativa de homicídio. Agora, já que a pessoa dissimulou um perfil, buscou da boa fé de outras pessoas para conquistar a vítima, não temos um concurso de crimes ou até mesmo crime continuado? Não sou especialista em penal, mas penso que os crimes na internet são muitas vezes mais graves que os cometidos nas ruas. Primeiro porque são premeditados e ardilosos. Segundo, porque podem mascarar situações que na vida prática perceberíamos o problema.

Então, o que fazer?

Cobrar dos ilustres deputados que façam o que foram contratados através do voto a fazer: Legislem sobre o assunto.

Mas, infelizmente, tenho até medo de fazer este pedido, pois temos visto veradadeiros absurdos quando aquelas “mentes privilegiadas” falam em tecnologia. Vejam um exemplo aqui.

Peço que reflitam sobre o voto e o poder dele sobre nossas vidas. A mudança passa pelo legislativo numa democracia.

A escolha é sua e minha. O poder de decisão está no voto.

Pense nisto.

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Artigo escrito por Gustavo Rocha – Diretor da Consultoria GestaoAdvBr
http://www.gestao.adv.br | blog.gestao.adv.br | gustavo@gestao.adv.br

A solução do Cyberbulling

Hoje temos todos os dias estampados nos jornais, TV e revistas a questão do Bulling (agressão verbal, psicológica) e do cyberbulling (sua modalidade via eletronica).

Recentemente concedi uma entrevista a um blog sobre este assunto, acesse aqui.

Penso que a reflexão é pensarmos não apenas no que acontece, o porque acontece, e como acontece, mas principalmente nas razões e fatos que podem mudar esta situação.

O primeiro fato que destaco é acerca da educação.

Sem educação, nada pode mudar. Nas escolas o que temos são alunos que pensam que podem comprar os professores, alunos que pensam que “colar” é a solução simples e de outro lado professores que esquecem que ensinar não é o que está nos livros, mas sim aquilo que não está nos livros, ou seja, ensinar que pensar, raciocinar, ver o mundo como ele é e não como ele foi contado por alguém.

Se o aluno pensar que decorar quem descobriu o Brasil é a solução, ele jamais irá pensar no porque na história naquele momento havia tanto interesse na descoberta de uma nova terra, interesses economicos, sociais, etc. Se ele conseguir perceber estes nuances da história, está começando a buscar na história o que realmente interessa: A razão do porque a história se molda conforme os interesses das pessoas.

Por óbvio, este é apenas um exemplo.

Da mesma linha de raciocínio, o carinho é fundamental.

Uma criança precisa compreender que o amor faz parte da vida e adjetivos como compreensão, carinho, bondade não são vazios. A criança precisa compreender que uma vida com verdade, mesmo que seja dura, com amor, mesmo que seja com cobrança e com humildade, o crescimento é garantido.

Agora você pode estar se perguntando:

O que tudo isto tem a ver com CyberBulling?

E o que isto tem a ver com gestão, tecnologia e empresas?

Respondo com prazer:

Quando as pessoas começarem a educar seus filhos com carinho, atenção, dedicação e demonstração de atitudes corretas, estaremos preparando a sociedade para que o Cyberbulling seja apenas uma palavra e não uma realidade. Deixar a televisão, filmes, desenhos e jogos educar os filhos transformará eles em pessoas com conteúdos que não acrescentam a alma humana.

Da mesma forma, jamais esqueça que empresas são feitas por pessoas. Pessoas que sofreram abusos, não tiveram carinho e não foram oportunizadas ao raciocínio produzirão na sociedade e nas empresas que farão parte os resultados desta educação e amor que lhe foram imputados na infância e adolescência. Inteligência emocional tem tudo a ver com aquilo que trazemos na nossa formação e conclusão do nosso próprio eu.

Queres contribuir para mudar o mundo?


Sorria! Ame! Eduque! Ensine a pensar!

Precisamos de pessoas que pensem, analisem, critiquem os fatos apresentados e não aceitem tudo como sendo verdade apenas porque outra pessoa disse que era.

Recebeste alguma informação interessante? Verifique, pense, procure compreender o porque aquela informação foi repassada. Se você concluir que ela é válida, vá em frente, passe adiante. Caso contrário, não repasse. Todos somos formadores de opinião. Sempre alguém nos admira e irá fazer aquilo que estamos dizendo como verdade.


Somente assim poderemos transformar a sociedade. Pense nisto.

Cyberbulling

Recentemente concedi uma entrevista virtual sobre cyberbulling e pela importância do tema divido com vocês abaixo a mesma.

Cyberbullying – Fenômeno virtual que atinge a vida real


Jornalismo Freelance apresenta uma entrevista sobre cyberbullying com o advogado e diretor da Consultoria Gestão.Adv.Br, Gustavo Rocha.

As perguntas para essa entrevista foram elaboradas pelo autor desse blog, o estudante de jornalismo da UniSant’Anna, Naldo Gomes, em colaboração com a, também, estudante de jornalismo da UniSant’Anna, Elisabete Aguiar. Essa entrevista é parte da aula de “Edição”, da professora Cláudia Costa e completa a reportagem “Cyberbullying – Fenômeno virtual que afeta a vida real” a ser publicada no jornal “A Pauta é Nossa” do curso de Jornalismo da UniSant’Anna.

Cyberbullying é uma prática que tem se tornado comum. Situações em que modernas tecnologias da comunicação como celulares e internet são utilizadas para práticas de humilhação do próximo têm ocorrido no mundo inteiro.

Elisabete e Naldo: Sempre existiram brincadeiras do tipo “tiração de sarro”, antes mesmo do     surgimento da internet. E a partir de uma determinada época essas brincadeiras foram se intensificando, se tornando uma forma de humilhação a algumas pessoas. Você acha que a facilidade de acesso a rede pode ter contribuído para o aumento e intensidade desta prática?

Gustavo Rocha: O fato é que estamos cada vez mais conectados. Estamos numa era em que estamos ao mesmo tempo próximos e distantes. Próximos pela facilidade do contato. Distantes, pois não nos importamos com o próximo e nos preocupamos apenas conosco. O bullying é uma forma negativa de expressão humana. É uma forma de ridicularizar, ofender, em alguns casos amedrontar outra pessoa de forma anônima ou aberta. Ou seja, somente tomamos este tipo de atitude quando estamos sem mais argumentos racionais para agir.

Socialmente temos uma educação mais preocupada com o retorno financeiro do que o desenvolvimento pessoal do aluno, o que proporciona uma reação social natural: Os alunos de hoje são os homens do amanhã.

Afirmar que as redes sociais são as responsáveis, não concordo. Elas são o meio atual. Mas o autor do cyberbullying somente o faz porque não tem elementos de maturidade, afirmação e razão para agir de outra maneira.

E&N: Na sua opinião, o surgimento de programas de TV como o “Pânico”, que fazem brincadeiras que costumam vexar as pessoas, podem incentivar o cyberbullying?

Rocha: A realidade é que as pessoas gostam de ver as outras em situações ruins, pânico e desespero. Por que o BBB faz sucesso? Por que o pânico faz sucesso? Porque alguém o assiste. Mais uma vez, penso que a educação é a solução. Se ao invés de chamarmos de heróis pessoas confinadas numa casa, brigando, xingando, fazendo sexo ao vivo, nós ensinássemos os alunos a ler, pensar, raciocinar, não teríamos uma evolução social negativa como hoje acontece em determinados meios.

Os programas são os meios. Se nós – educadores, adultos pensantes – permitimos que nossos filhos, colegas deles e crianças sejam “educadas” por estes programas, teremos um futuro cada vez pior neste aspecto.

E&N: O cyberbullying tem a ver com a tolerância na sociedade? A nossa geração é mais intolerante que as outras?

Rocha: Um comparativo entre as gerações causa diferenças, divergências, mas não radicalidade. Temos hoje uma inversão de valores: A tecnologia ao invés de nos auxiliar a termos mais tempo, faz com que tenhamos menos tempo. Todavia, aqueles que realmente podem pensar a respeito de si mesmos, podem conhecer o melhor e pior de si, não irão ser intolerantes. Falta educação. Falta ensinar as pessoas a serem críticas e não apenas aceitar tudo como verdade.

E&N: Quando se trata de cyberbullying há ataques feitos por adultos contra as crianças e jovens. Existe alguma lei que considere este ato como crime e que tenha penalidades previstas? Há algum caso em julgamento ou que já foi julgado sobre o tema?

Rocha: Neste site encontrarás um artigo completo que responde integralmente o teu questionamento:

– DireitoNet.

E&N: Alguns autores disponibilizam textos na internet, argumentando sobre a tendência de pessoas que já sofreram de cyberbullying têm a repetirem o ato contra outras pessoas. Isso é inteiramente verdade? Existem pesquisas que comprovam isso?

Rocha: Desde os anos 80 se escrevia o que chamávamos da teoria do oprimido: Se tu foste oprimido, no dia que assumires um posto de chefia, irás oprimir. Não é uma regra 100% verdadeira, contudo tem o seu fundo de verdade. Devemos orientar, educar, ensinar as crianças a verem a situação de agressão de uma maneira racional e evolutiva, com apoio profissional, lógico.

E&N: Um tipo de cyberbullying que ocorre com frequência é a exposição da intimidade de uma pessoa como forma de prejudicá-la. Como evitar este tipo de situação?

Rocha: A principal regra é: desconfie. Seu namorado (a) quer você pelado (a) em fotos no celular? Boa coisa não é. Estas situações normalmente acontecem porque as pessoas confiam que as outras nada farão com as fotos, vídeos, etc. Outra situação que ocorre é termos na TV, vídeos, filmes e seriados cada vez mais uma banalização do sexo e da violência. Matar e fazer sexo podem ser pra qualquer um, em qualquer situação. Daí, crianças de 12, 14, 15 anos colocam fotos “sensuais” nas redes sociais, achando que imitam o ator, cantor, etc. Pronto, temos crianças que sem ter a maturidade necessária estão no “mercado” sendo alvos de buscas sexuais. Nestes casos, os pais devem ser amigos dos filhos, acompanharem o que eles fazem, onde estão colocando suas fotos, etc. O mesmo vale para seus dados. Têm crianças e adolescentes que colocam tudo no Orkut, quem são, pais, avós, onde moram, telefone, etc. Qualquer um pode localizar esta pessoa.

E&N: Redes sociais como OrkutFacebook são grandes provocadoras de fofoca. A fofoca por sua vez prejudica, porque difama. Isso também é considerado cyberbullying? Como permanecer nas redes sociais e ao mesmo tempo evitar esses constrangimentos?

Rocha: Fofoca é dizer algo de alguém de maneira escondida. Literalmente “falar pelas costas”. Já nocyberbullying o indivíduo ofende, fala mal, cria verdadeiras situações que não existem e põe para todos verem. Para atuar nas redes sociais e evitar constrangimentos, seja discreto, desconfie de quem não conhece, não fale de sua vida privada, bem como não saia ofendendo outras pessoas.

Rocha: Com a criação do Decreto nº 51.290 que regulamenta a Lei nº 14.957 que, por sua vez, trata da inclusão de medidas de conscientização, prevenção e combate ao bullying escolar no projeto pedagógico das escolas públicas, os casos de cyberbullying diminuirão?

O decreto é exclusivo de São Paulo, não tem validade nacional. O texto é interessante, visa a educação, contudo, sem ações práticas e reais nada vai funcionar.

Precisamos educar e dar exemplos. Isto sim pode mudar a situação.

Fonte: http://gomesnaldo.wordpress.com/2010/04/04/cyberbullying-fenomeno-virtual-que-atinge-a-vida-real/