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Dinheiro e você: Já fizeram as pazes?

DinehiroDinheiro para a maioria ou grande parte dos profissionais é um tabu. Lidam com dinheiro com reservas, com segredos, afinal, socialmente quem tem dinheiro não pode ser boa pessoa.

Temos uma cultura de negar o dinheiro.

A impressão que muitos na sociedade exercem sobre nós é de que quem tem dinheiro não pode ser honesto. Honesto é o cara que sofre bulling, que apanha e não revida, que batalha uma vida inteira e no final dela ganha um salário mínimo. Este sim, é honesto!

Será mesmo?

Você não precisa de dinheiro para pagar as suas contas? As contas do escritório?

Existe algum tipo de vergonha em dizer que somos advogados, exercemos a justiça como objetivo de nossa atividade, temos característica de múnus público na nossa atividade? Contudo, quando falamos que existe um valor para tudo isto, parece que o valor de tudo isto cai por terra.

Por quê?

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Honorários ou quanto você vale?

Se fossemos levar os honorários a quanto vale o trabalho profissional no Brasil diante da realidade apresentada pela sucumbência imposta pelo judiciário, diria que os advogados estão mal, muito mal mesmo. Nas palavras de Boris Casoy: É uma vergonha!

Alguns dirão que advogado ganha duas vezes, nos honorários pactuados e na sucumbência. Não vejo nenhum problema, nada mais justo, afinal um está pagando porque contratou os serviços e o outro está pagando por que não tinha o direito e perdeu ou não soube ser estratégico na causa e não a ganhou.

Ou seja, tem que pagar mesmo.

Como já afirmei, se dependesse da sucumbência, a advocacia não seria uma profissão digna, como realmente ela é. Então, o que vale para ser pactuado são os honorários ditos contratuais.

Neste quesito, muitos advogados esquecem de quanto eles valem para cobrar apenas honorários.

Temos um balizador neste caso, que é a tabela de honorários da OAB. Poucos profissionais a utilizam, infelizmente. A maioria concorda que ela é cara demais para a realidade dos clientes. Seria isto mesmo?

Três são as principais teorias utilizadas pelos advogados para cobrar menos que a tabela da OAB:

1. Se cobrarem menos, terão mais clientes e faturarão mais na quantidade;

2. Sentem pena dos clientes, que passam dificuldades e cobram pouco, afinal, eles podem pagar pouco;

3. Acreditam que é melhor ter pouco e garantir o valor do que deixar que o colega da outra sala pegue a causa;

Estas teorias parecem plausíveis para alguns profissionais, mas caem por terra com uma análise bem simples de mercado, vejamos:

1. Se cobrarem menos, terão mais clientes e faturarão mais na quantidade;

Se você cobra pouco, as pessoas que fecham negócios com você acham que você vale pouco. Mais ainda, se indicarem o seu serviço, já indicarão dizendo que você cobra pouco, portanto, é um advogado que cobra pouco e não um advogado que sabe do assunto e vai ganhar a causa.

Cobrar pouco é um sinônimo de desvalorização profissional. As pessoas tem expectativa que bons profissionais cobram bem pelos seus serviços.

Lógico, cobrar o justo pelo seu trabalho não é enriquecer em apenas uma causa. É compreender que você tem seus custos para gerir e viver, você tem um escritório para manter e não será fazendo uma separação litigiosa por R$ 500,00 que estes custos serão cobertos.

2. Sentem pena dos clientes, que passam dificuldades e cobram pouco, afinal, eles podem pagar pouco;

Isto seria uma realidade, se não pensarmos em nós, primeiramente. O advogado está defendendo ou atuando em nome do cliente, ele não é o cliente. Para isto, existe a defensoria pública ou o advogado pode fazer a causa pro bono. Agora, pegar causas cobrando R$ 200,00, R$ 500,00 com complexidade de estudos, causas que levam anos para serem solucionadas e nem sempre teremos algo a receber, pois cada vez mais temos entendimentos nos tribunais superiores que “mudam” conforme a mente “privilegiada” dos ministros – que são escolhidos politicamente pelo presidente da república, ou seja, como viver 3 ou 5 anos com duzentos reais esperando os 10% ou 20%, mesmo que seja 30% de algo que talvez não venha um centavo?

Advogado come, dorme, paga IPTU, IPVA, não tem isenção de nada, paga inclusive anuidade para a OAB e precisa dos honorários – sua única fonte de renda – para sobreviver. Não pode aceitar esmolas para ser remunerado pelo seu trabalho.

Se a remuneração for pequena, então vale mais a pena ocupar o tempo em estudar, ler um bom livro, fazer alguns contatos e marcar reuniões ou até jogar paciência, já que tempo mal remunerado só atrapalha, não ajuda.

3. Acreditam que é melhor ter pouco e garantir o valor do que deixar que o colega da outra sala pegue a causa;

Se você concorda com isto, cuidado, sua vida profissional corre perigo.

Você acha que o serviço que você presta é senso comum ou tem algo de especial?

Você estudou tanto, se especializou, busca sempre soluções novas e criativas para clientes e pensa que todo mercado faz o mesmo?

Então, porque comparar o seu serviço com o advogado que trabalha na quadra seguinte?

Se você tem algo de diferente do mercado, deve cobrar por isto. Se você acha que o seu serviço é igual ao do concorrente, então trate de inovar e buscar algo diferente.

Não é porque algumas ações são iguais que o preço é igual. O seu nome, seus contatos, sua forma de atuar na causa, enfim, seus diferenciais contam muito e valem dinheiro.

Enfim,

Honorários ou quanto você vale?

Quanto você vale, lógico. Seu custo de vida, necessidades de crescimento, estudo, aperfeiçoamento são essenciais para construir, forjar este profissional cada vez melhor. Honorários, apenas como nomenclatura de recebimento daquilo que você vale e merece por tudo que investiu na sua carreira e profissionalismo.

Pense nisto.

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Artigo escrito por Gustavo Rocha – Sócio da Consultoria GestaoAdvBr
http://www.gestao.adv.br gustavo@gestao.adv.br

Quanto vale o seu trabalho?

Recebi a indicação deste video abaixo por Rudinei  Modezejewski e vale a pena a reflexão proporcionada.

http://www.overstream.net/view.php?oid=lkmrs1iwill4

A pergunta inicial é: Quanto vale o seu trabalho?

Isto porque claramente percebemos que em nenhum momento o entrevistado está se negando a fornecer a “entrevista”, bem como não está interessado em midia. Ele está interessado em ser remunerado por aquilo que faz, ou seja, pelo seu conhecimento, nome, enfim, pela sua entrevista.

Quando um advogado faz um contrato de resultado, ele está fazendo o quê na verdade? Está assumindo um risco que não é seu.

Você já se questionou se o seu médico assumiria o risco da cura de um cancer para depois receber o seu pagamento?

Porque o advogado deve esperar anos para receber algum valor se ele não deu causa a nada do que está defendendo?

Se alguém procura um advogado porque não efetuou pagamento do INSS e está prestes a ser preso ou tem uma execução contra si, a culpa disto é do advogado? Ou será que o advogado é a pessoa mais indicada para resolver este assunto?

Esta inversão de valores está clara nos dias de hoje.

Não estamos valorizando a profissão, conhecimento, dedicação. Estamos valorizando resultados, sendo que estes não dependem unicamente do profissional envolvido.

Quantas e quantas vezes verificamos que o judiciário muda de posição em relação a determinadas ações? Se você entrou em 2002 com uma ação revisional de leasing você tinha uma súmula que dizia que o contrato era descaracterizado se o pagamento do VRG fosse parcelado. Apenas um ano depois, o STJ revogou esta súmula e valeu exatamente o contrário do que antes era válido. Se você empregou seus honorários em resultado, apenas um ano depois sua chance de resultado é zero.

Em bom português: Valorize seu trabalho. Aprenda que negociar, ser maleável, não significa menosprezar, ser indiferente, tratar o seu conhecimento como sendo senso comum. Você estudou, buscou diferenciais, encontrou o seu caminho. Não jogue isto no lixo.

Reflita sobre isto e leia uma interessante crônica de João Ubaldo Ribeiro sobre este assunto http://www.almacarioca.com.br/cro68.htm