Arquivo da tag: Advocacia Colaborativa

Incubadoras jurídicas?

Um artigo traz uma realidade americana recente ao olhar brazuca: “Incubadoras de firmas de advocacia prosperam nos EUA” afirma João Ozorio de Melo na revista Conjur.

Ao ler o artigo – que divido com vocês algumas partes – logo imaginei no cenário brasileiro: Teríamos nós a possibilidade cultural e principalmente ética para tanto?

Vejamos parte do artigo:

“O que deu certo na área da tecnologia e avançou para diversos campos empresariais agora começa a se firmar na advocacia: as incubadoras de negócios. Nos Estados Unidos, a comunidade jurídica está comemorando o lançamento de mais duas incubadoras em faculdades de Direito, que vão ajudar advogados, principalmente os novos, a desenvolver suas carreiras solo ou operar pequenas firmas. Agora elas já são muitas e, com elas, o índice de sucesso de advogados autônomos e pequenas firmas vem aumentando significativamente.

(…)

As incubadoras fazem uma grande diferença na “expectativa de vida” das novas empresas, incluindo as firmas de advocacia e as empreitadas “solo” dos advogados autônomos. Tanto no Brasil (de acordo com o Sebrae), quanto nos Estados Unidos (de acordo com a Wikipédia), o “índice de mortalidade” de empreendimentos, nos primeiros três anos de vida, é de cerca de 56%. No entanto, o “índice de sobrevivência” de empreendimentos que passam seus primeiros anos de vida em uma incubadora é de 87%, diz a Wikipédia.

Há uma explicação: a incubadora ajuda uma empresa a decolar e se manter no “ar”, até que ela consiga voar sozinha. Na verdade, é um trabalho que começa com a elaboração de um documento escrito, parecido com um plano de voo: um plano de negócios. É preciso definir, antes de mandar fazer o cartão de visita e uma placa com o nome, em que área da advocacia o advogado pretende atuar, onde pretende atuar (na cidade grande ou na pequena, no campo ou na praia, em um escritório, em casa, virtualmente pela Internet ou em um carro – vide The Lincoln Lawyer), onde quer chegar e em quanto tempo, quem serão seus clientes, como vai se comunicar com eles e como conquistar novos clientes, que equipamentos e mobiliário vai precisar, que capital é necessário e como vai consegui-lo, entre outras coisas.

As incubadoras resolvem boa parte desses “problemas” – os mais importantes, aliás. Elas disponibilizam, por exemplo, uma infraestrutura básica – escritório (em um conjunto de escritórios), com escrivaninha (com lugar para colocar placa e cartões de visitas), cadeiras, telefone, computador com acesso à Internet e recepção/sala de espera com recepcionista.

Oferecem também treinamento de gestão de escritório – o essencial, como gestão contábil e financeira, faturamento, administração da firma e dos negócios. E o mais relevante: ajudam os novos advogados a conseguir clientes e a montar sua rede de relacionamentos (network), ao mesmo tempo em que os ensinam a se mover nessa areia movediça, como pode lhes parecer.”

 

Só nesta etapa podemos perceber que as ideias são próximas a trabalho em conjunto – espécie de cowork – bem como uma consultoria inicial aos advogados em início de carreira – Algo que já temos em desenolvimento no Brasil, via OAB/GO e OAB/RS pelo menos – bem como ensinar a desenvolver o network – marketing jurídico puro, simples e permitido no Brasil – de maneira direta e acompanhada.

Seria isto? Uma espécie de consultoria para iniciantes e possibilidade de encontrar colegas na mesma realidade e ajudar-se mutuamente?

Claro que não. Uma escola pode não forjar o homem, afinal, ele já nasce com seus elos/predicados e precisa da escola para desenvolve-los, mas uma incubadora pode potencializar o empreendedor advogado que ainda não floreceu.

Algo visto pelos gringos, inclusive:

(…)

Diferentemente dos “estágios” em escritórios de advocacia, que formam advogados para o emprego, as incubadoras visam formar advogados empreendedores, com capacidade para superar a falta de trabalho em tempos de crise econômica, principalmente. (…)

 

Leia na íntegra o artigo aqui.

No Brasil não temos esta realidade nem estímulo por parte das universidades como nos EUA, temos um pouco desta iniciativa pela própria OAB, em projetos isolados dos Estados, ainda sem um grande projeto nacional.

Seria esta a solução?

Talvez não a única, aplicada isoladamente. Precisamos de melhores universidades de direito, precisamos de mais qualificação dos profissionais nos bancos academicos, inclusive falando de gestão e tecnologia, precisamos de mais antes da profissão ser exercida efetivamente, mas ter ideias como esta auxiliam em muito a qualificar e tornar o mercado mais seletivo e inteligente, o que beneficia a todos, com toda certeza.

______________________________________________
Artigo escrito por Gustavo Rocha – Sócio da Consultoria GestaoAdvBr
http://www.gestao.adv.br gustavo@gestao.adv.br

Ser colaborativo: Futuro ou presente?

Em junho de 2011 uma notícia muito interessante saiu na mídia: A Inslândia utilizou o Facebook e outras redes sociais para que os cidadãos pudessem colaborar com a nova Constituição. Leia a notícia aqui.

A questão não é novidade no Brasil, no ano passado ajudamos a escrever o marco civil da internet – leia aqui – e estamos buscando alternativas para que a interatividade não se perca apenas em redes sociais para contarmos o que fazemos e aonde vamos.

Talvez um dos maiores debates atuais seja em como ser colaborativo.

Todos querem interatividade, contudo, coordenar esta interatividade não é fácil.

Recentemente um exemplo prático aconteceu em Porto Alegre. Nos reunimos numa reunião presencial após nos conhecermos num grupo da rede social linkedin. Deste encontro bolamos inúmeras ideias que renderam e rendem mais encontros presenciais e, quem sabe, negócios.

Você já pensou em como ser mais colaborativo?

Com clientes…

Com a sua equipe…

Com a sociedade…

Ser colaborativo não significa agir apenas em prol dos outros, significa dividir conhecimento, estar presente, ter um propósito de agir e ser…

Alguns exemplos práticos:

Com clientes…

Divida informações com seu cliente;

Ligue para ele ou mande um email sobre as novidades do escritório;

Compartilhe informações mesmo que não sejam da tua área;

Com equipe…

Faça trabalhos de descarte (reunir a equipe para jogar fora/reciclar/reutilizar todos papéis e materiais não usados);

Estabeleça trabalhos de criatividade em conjunto (uma nova tese, realinhar teses atuais);

Analise e modifique o fluxo interno para permitir a equipe tenha maior contato uns com os outros, inclusive nos assuntos entre si;

Com a sociedade…

Crie um dia para realizar atendimentos comunitários;

Dê palestras e divida conhecimento;

Participe de reuniões e encontros de jovens profissionais para levar-lhes experiência;

Enfim,

Ser colaborativo é uma realidade do presente. Como será no futuro? Depende exclusivamente de como nós agiremos daqui pra frente…

______________________________________________
Artigo escrito por Gustavo Rocha – Diretor da Consultoria GestaoAdvBr
http://www.gestao.adv.br gustavo@gestao.adv.br

Marketing Jurídico e suas facetas

Recentemente li um artigo de um promotor de justiça que debatia com bastante inteligência e perspicácia a questão do Marketing Jurídico.

Leia a conclusão do autor deste artigo, o Promotor André Luis Alves de Melo:

CONCLUSÃO

A rigor, um fato é que a OAB é dirigida por advogados com mais renome e tradição. Inclusive pelo fato de ser uma função exercida sem remuneração, acaba por impedir que advogados empregados e advogados integrantes de pequenos escritórios participem. Pode-se dizer que há necessidade de ser um advogado empregador, para que possa se dedicar às atividades relevantes da OAB, mas sem fechar as portas do escritório.

Sempre existe uma massa de advogados que quer adentrar eticamente no mercado, mas tem tido dificuldades em razão das barreiras concorrenciais impostas pela OAB. Não se defende a concorrência predatória ou desleal, mas é preciso rever os paradigmas para que a advocacia possa exercer a sua função social e a população tenha acesso ao serviço do advogado privado conforme a realidade atual.

O perfil do advogado liberal que tinha um trabalho artesanal e focado em poucas causas tem mudado muito em razão da mudança do próprio Judiciário como da própria população. Hoje exige-se uma maior visão empreendedora e gerencial com divisão de função e trabalho integrado com outros setores de conhecimento.

Como bem colocou SUSSKIND, pesquisador da Universidade Howard:

A internet encoraja a comunicação e a colaboração. No futuro teremos comunidades de clientes dividindo os custos de serviços jurídicos similares. Também haverá na rede roteiros gratuitos sobre as leis. Esses roteiros devem ser construídos da mesma maneira como foi a Wikipedia. Se refletirmos sobre o desenvolvimento da internet, veremos que os usuários já contribuem em blogs, wikis e redes de relacionamento. A maneira como as pessoas se comunicam já mudou e continua em modificação. Isso também afetará clientes e advogados. A conseqüência será a difusão dos conhecimentos jurídicos. Advogados que não quiserem dividir conhecimento serão postos de lado. (SUSSKIND, Richard. entrevista Época, n 507, 4 fevereiro, 2008).

A estrutura jurídica e social de hoje não é mais a de 15 anos atrás, logo é preciso remodelar para atender às exigências atuais.

Hoje a advocacia privada acaba perdendo espaço para a advocacia pública, estatal e até mesmo os novos advogados sendo reféns das bancas mais estruturadas, pois não conseguem adentrar no mercado. Ouve-se sempre de influentes advogados que participam da OAB quando se dirigem aos mais jovens: “Esperem a sua vez, ela chegará, eu esperei a minha”. Traduzindo isso seria: “Não concorram conosco”.

Existe um enorme mercado que pode ser atendido pela advocacia, mas que para ser atingido precisa que as regras de atendimento sejam modificadas e simplificadas para serem popularizadas, por exemplo estimular a população consultar um advogado antes de casar e não apenas quando divorciar, para isto é preciso usar mídias de massa como a TV e rádio, além se simplificar os meios de pagamento como cartões de crédito e planos de assistência jurídica. Nem mesmo demonstram interesse em que as despesas com advocacia possam ser abatidas no Imposto de Renda, pois estimularia o uso do serviço pela classe média e alta.

Na atividade de defesa da ordem jurídica justa, bem como fiscalizar as entidades públicas, além de permitir ao cidadão que tenha um acesso facilitado ao indispensável serviço do advogado. Por isso devem-se estudar políticas que facilitem o acesso ao advogado, o que não significa apenas implantar a defensoria, mas permitir também que o cidadão tenha o direito de contratar, em condições mais simplificadas, o serviço tão essencial que é oferecido pela advocacia particular.

O artigo é bem extenso, leia-o na íntegra, aqui.

O autor defende que o advogado pode e deve utilizar meios de massa para chegar aos seus clientes, como rádio e TV. O que você acha disto?

Hoje, com as regras que estão em vigor, sabemos que não é possível fazer este tipo de marketing sem estar incorrendo em infração ética.

Contudo, a reflexão que faço é no futuro.

Com as redes sociais em profusão, a criação todos os dias de blogs e sites jurídicos com cada vez mais conteúdo qualificado na internet, a base do relacionamento está mudando.

Todo marketing jurídico atual é baseado nesta palavra: Relacionamento. O restante são ações concretas para gerar relacionamento e assim, a relação cliente – advogado.

Se o relacionamento está mudando de foco, está virtual, está rápido, está informativo, está cada vez mais alicerçado em redes, conexões e indicações, o marketing jurídico também está nesta tendência.

Não podemos ignorar o avanço da tecnologia em prol dos relacionamentos.

Fica a questão: Vamos revolucionar o marketing jurídico?