O único pecado

pecadoParece impossível não é mesmo? Um único pecado… Reli um texto antigo recentemente sobre o livro O Caçador de Pipas de Khaled Hosseini e nele continha justamente o que estou querendo demonstrar.

O artigo foi escrito por João Alfredo Biscaia e publicado no HSM on line.

Concordo integralmente com o autor quando compara o escrito no livro com o que acontece com os líderes nas organizações. O artigo é de 2007 mas realmente muito atual ainda.

Nesta mesma linha de raciocínio, teço alguns comentários ao final.

Vamos ao artigo:

SOBRE O CAÇADOR DE PIPAS

 João Alfredo Biscaia*


Muito provavelmente, os leitores deste artigo devem considerar o título extremamente agressivo, inclusive deselegante.
 Proponho que tenhamos muita calma e atenção sobre esse assunto, pois para mim, realmente, existem muitos “ladrões”nas organizações, não do dinheiro das empresas, mas sim das pessoas que com eles trabalham.

A argumentação que tenho sobre essa afirmativa foi baseada no livro O caçador de pipas, de Khaled Hosseini, que tive o enorme prazer de ler e reler. Permito-me dizer que o livro me foi emprestado pela minha ex-sogra, acompanhado do seguinte bilhete: “Este livro é bom demais para ficar na prateleira”.

Principalmente em razão do bilhete, me encorajei em não deixar “engavetado na prateleira da minha cabeça” as conexões que consegui fazer durante a leitura deste livro com a realidade das organizações e nas atitudes, posturas e comportamentos de muitas pessoas que se auto-intitulam de líderes de pessoas, apenas em função do cargo que exercem.

De todos os prazeres e sensações agradáveis e muitas vezes tristes, que a leitura deste livro me proporcionou, a mais marcante e significativa para mim foi a seguinte:

Em conversa com seu filho Amir, Baba afirma que existe apenas um pecado no mundo: o do roubo.

Ele justifica essa afirmação, dizendo:

  • Quando você deixa de dizer para alguém alguma coisa que você acredita ser “verdade”, você está “roubando” o direito dele saber o que você sente a seu respeito.
  • Quando você mata alguém, você está “roubando” o direito de outras pessoas conviverem com a pessoa que você matou.
  • Quando você “maltrata” alguém, você está “roubando” o direito dessa pessoa de ser feliz.
  • Quando você mente para alguém, você está “roubando” o direito dela conhecer a verdade.

Como decorrência dessas assertivas, imediatamente surgiram em minha mente os inúmeros “roubos” praticados nas organizações.

Relaciono alguns deles para que os leitores possam examinar se, em sua organização, eles são praticados.

  • Quando você chega atrasado em uma reunião, você está “roubando” o tempo das pessoas que chegaram na hora marcada.
  • Quando você quer, ou impõem, que seus “colaboradores” (não podemos mais falar subordinados, é um termo ofensivo, dizem alguns), fiquem trabalhando rotineiramente após as 8 horas diárias, você está “roubando” o direito ao lazer, ao estudo, além do prazer que todos nós temos em desfrutar da companhia da esposa, filhos e dos amigos do coração.
  • Quando você pede urgência na execução de determinada tarefa, e depois não dá a menor importância, você está “roubando” o seu colaborador.
  • Quando você pensa que alguns de seus subordinados não estão correspondendo às suas expectativas, e nada diz, você está “roubando” a vida profissional deles.
  • Quando você fala a respeito das pessoas e não com as pessoas, você está “roubando” a oportunidade deles saberem a opinião que você tem a respeito deles.
  • Quando você não reconhece os aspectos positivos que todas as pessoas têm, você está “roubando” a alegria e a satisfação que todos nós precisamos por nos sentir valorizados e úteis. Além de “roubar”, você está sendo o principal gerador de um ambiente de trabalho desmotivador e desinteressante.


Tenho hoje a convicção – não a verdade – de que realmente só existe um único pecado que qualquer profissional pode cometer no exercício de cargos de liderança:

NÃO DIZER, DE FORMA EXPLICITA, CLARA E DESCRITIVA, COMO PERCEBE E SENTE OS DESEMPENHOS E OS COMPORTAMENTOS DAS PESSOAS COM QUEM TRABALHA.

Todos nós temos um discurso fácil ao afirmar que é imprescindível haver respeito e consideração com todas as pessoas com quem convivemos, quer no plano pessoal ou profissional. Pensar e falar são coisas extremamente fáceis.

O grande desafio está no agir, no fazer, no praticar aquilo que se diz ou pensa como sendo o certo, o correto nas relações entre as pessoas. Não valemos pelo que pensamos, mas sim pelo que realmente fazemos.

Tenho constatado, como base no mundo real, que a maioria das pessoas deixa de se manifestar sobre como percebe e sente o comportamento das pessoas com quem convivem. A racionalização por não dizer nada é baseada no argumento de que, “afinal, ninguém é perfeito” e vai acumulando insatisfações, com reflexos inevitáveis nas relações.

Acrescento que o pior tipo de relacionamento que podemos praticar com as pessoas com quem trabalhamos e vivemos é o do silêncio. O silêncio fala por si só. Diz muita coisa, e gera uma relação de paranóia, muita ansiedade e enorme frustração. Dizem que as pessoas admitem boas ou más notícias, detestam surpresas.

Tomo a liberdade de recorrer a um artigo escrito por Eugenio Mussak, na revista Vida Simples, do mês de julho deste ano. Ele é enfático ao afirmar que feedback é um a questão de respeito e consideração para a outra pessoa.

Chego à conclusão de que só damos feedback para as pessoas que respeitamos e gostamos.

Dar e receber feedback são questões básicas e essenciais para a existência de uma relação saudável, duradoura e, principalmente, respeitosa.

Considero oportuno lembrar, também, que todas as coisas que prestamos atenção tendem a crescer. Se olharmos, tão somente os aspectos negativos de alguém, esses tendem a crescer aos nossos olhos.

O inverso também parece ser fatal. Se dirigirmos nossas observações a respeito das questões positivas que todos nós temos, existe a grande possibilidade delas também crescerem.

Em síntese: sugiro você que façamos um exame de consciência profundo nas diversas relações que mantemos. Se pergunte com bastante freqüência: Será que eu estou “roubando” de alguém algumas informações ou percepções que podem lhes ser úteis para o seu crescimento pessoal e profissional?

Fonte: HSM On-line | Instituto MVC 16/10/2007

Alfredo Biscaia, João
Consultor Sênior do Instituto MVC.

Não apenas nas relações de liderança, mas em qualquer ato da nossa existência temos que ter a consciência que não estamos sozinhos. Estamos sempre em sintonia, seja pelo trabalho, seja pelas relações afetivas.

Quem trai, quem briga, quem maltrata, está roubando tempo e vida da outra pessoa e lógico, da sua própria.

Quem faz uma reunião com escopo de 30 minutos e dura duas horas e nada sai decidido…

Quem fala dos outros pelos corredores, quem sempre chega atrasado, quem não colabora mesmo com ideias próprias e depois nos corredores fica dizendo que poderia ser diferente, quem não se envolve para não se incomodar e depois apenas reclama, entre outros exemplos, está roubando tempo, tempo este que deveria ser utilizado para ter mais tempo para o que realmente importa.

Você quer passar o resto da vida fazendo petições?

Quer passar o resto da vida sem pensar num trabalho fútil?

Que tempo você está ganhando para fazer o que realmente importa?

Que tempo você tem para desenvolver a si mesmo?

Como dar o seu tempo apenas por dinheiro?

É amigo leitor… Tempo é mais do que dinheiro. Tempo é vida. E uma vida finita.

Usar cada segundo com sabedoria é o segredo de uma vida repleta, mesmo que curta.

Aproveite o seu tempo e não roube o tempo de ninguém.

E afinal, qual é o único pecado?

Não aproveitar o tempo para o que realmente importa e é importante para você.

#PenseNisto

______________________________________________

Artigo escrito por Gustavo Rocha

Sócio da GestãoAdvBr – Consultoria em Gestão e Tecnologia Estratégicas

Sócio da Bruke Investimentos

[+55] [51] 8163.3333 | http://www.gestao.adv.br | http://www.bruke.com.br

Contato integrado: gustavo@gestao.adv.br [Email, Skype, Gtalk, Twitter, LinkedIn, Facebook, Instagram, Youtube]

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2 pensamentos sobre “O único pecado

  1. Elizier Leite 4 de novembro de 2013 às 18:42 Reply

    Postou lições que correspondem, de fato, à realidade dos atos e comportamento das pessoas em sociedade, Dr. Gustavo Rocha.
    Se me permite e pedindo “venia” (no latim não é acentuado) ao autor Alfredo Biscaia, o povo vive matando, inclusive as esperanças de terceiros, familiares ou não, porque vive jungido ao falseamento da verdade, pela força do “encantamento” dirigida a incautos, desavisados, desajustados na família, e relegados à miséria moral pelo Estado Político de Direito, brocado e viciado nos mais terríveis pressupostos do pecado!
    Assim, os governantes em todos os níveis e poderes da República, destituídos de conhecimento da política científica, ávidos por amealharem verdadeiras fortunas adquiridas também através do ROUBO, apregoam com o maior cinismo o substrato de seu caráter corrompido e até mesmo diabólico. Para esses, portadores de uma consciência seletiva que lhes denuncia, sempre, a diferença entre o Bem e o Mal, entre o justo e o injusto, a lei deveria ser muito mais rigorosa, de peso duplicado, uma vez por suas responsabilidades como cidadãos, outra vez como representantes do povo, que dizem ser.
    Paralelamente, os “líderes” religiosos de várias ordens. fazem o mesmo: Metem, forjam falsos testemunhos em declarações de “curas milagrosas”, falseiam as verdades bíblicas e roubam e espoliam as pobres “ovelhas”, carentes de conhecimento que liberta e sofrem, iludidos, encantados por falsos profetas – sobejamente referidos na Bíblia. Dizendo-se cristãos, ajuntam verdadeiros tesouros em nome próprio ou dissimulados, mostrando abertamente os exemplos contrários ao Evangelho de Jesus Cristo e de Seu próprio exemplo de HUMILDADE, SIMPLICIDADE, VERDADE E MISERICÓRDIA. Pobres e desavisadas criaturas, vítimas e cobaias desses desajustados mentais, (muitos deles) e que se dizem representantes de Deus… Abraço.

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