Penso, logo existo

A frase de René Descartes: Penso, logo existo, já trouxe inúmeras interpretações para o cotidiano de todos nós.

Entre elas que devemos pensar antes de agir, que devemos exercitar a nossa razão em prol da nossa existência e por aí vai.

Brindo o leitor com o texto que deu origem a esta frase, para fazermos uma reflexão logo após:

Penso, logo Existo

De há muito tinha notado que, pelo que respeita à conduta, é necessário algumas vezes seguir como indubitáveis opiniões que sabemos serem muito incertas, (…). Mas, agora que resolvera dedicar-me apenas à descoberta da verdade, pensei que era necessário proceder exactamente ao contrário, e rejeitar, como absolutamente falso, tudo aquilo em que pudesse imaginar a menor dúvida, a fim de ver se, após isso, não ficaria qualquer coisa nas minhas opiniões que fosse inteiramente indubitável.
Assim, porque os nossos sentidos nos enganam algumas vezes, eu quis supor que nada há que seja tal como eles o fazem imaginar. E porque há homens que se enganam ao raciocinar, até nos mais simples temas de geometria, e neles cometem paralogismos, rejeitei como falsas, visto estar sujeito a enganar-me como qualquer outro, todas as razões de que até então me servira nas demonstrações. Finalmente, considerando que os pensamentos que temos quando acordados nos podem ocorrer também quando dormimos, sem que neste caso nenhum seja verdadeiro, resolvi supor que tudo o que até então encontrara acolhimento no meu espírito não era mais verdadeiro que as ilusões dos meus sonhos. Mas, logo em seguida, notei que, enquanto assim queria pensar que tudo era falso, eu, que assim o pensava, necessáriamente era alguma coisa. E notando esta verdade: eu penso, logo existo, era tão firme e tão certa que todas as extravagantes suposições dos cépticos seriam impotentes para a abalar, julguei que a podia aceitar, sem escrúpulo, para primeiro princípio da filosofia que procurava.

René Descartes, in ‘Discurso do Método’

 

Em bom português: Descartes procurava a verdade para bolar esta frase e dizer que penso, logo existo foi para ele uma verdade incontestável.

Abstraindo a questão religiosa, com um pensamento puramente laico: Qual é a verdade para você?

E mais: No que você acredita?

Além disto: Como a realidade que você acredita que está acontecendo está influenciando o seu dia a dia?

Estes questionamentos além de filosóficos são fundamentais para definir como e quando mudar.

Se você acha, por exemplo, que o processo eletrônico vai demorar muito a chegar na sua realidade e se preparar agora é bobagem, cuidado! Pode estar mais próximo do que você imagina.

Neste exemplo, para mim, a realidade do processo eletrônico já está acontecendo. Pode ser que para você leitor ainda não tenha acontecido e você não se sinta pressionado por ela. Agora, na filosofia do penso, logo existo, devemos pensar e aplicar todas as variáveis. (atualize-se: http://www.oabrs.org.br/processoeletronico/noticia-85-divulgada-programacao-do-ii-congresso-sulbrasileiro-sobre-processo-eletronico)

Pensar não é unicamente no processo do cliente ou em como ganhar mais honorários. Pensar deve estar em todos os momentos da vida, para que a vida não passe in albis, como diria o jurista.

Penso, logo existo.

Escrevo, logo me comunico.

Falo, logo transmito.

Sinto, logo vivo.

Enfim, acredito, logo duvido.

E você?

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Artigo escrito por Gustavo Rocha – Sócio da Consultoria GestãoAdvBr
http://www.gestao.adv.br gustavo@gestao.adv.br

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