Qual é o verdadeiro trabalho do advogado?

Esta pergunta veio a tona após ler uma notícia do Superior Tribunal de Justiça publicada ontem, onde a Ministra Nancy Andrighi teceu comentários a profissão do advogado para majorar os honorários do mesmo.

Destaco 3 pontos desta reportagem, com as palavras da Ministra (grifos meus):

“Não se ignora o fato de que, no particular, o trabalho executado pelo advogado em prol dos recorrentes foi reduzido, limitando-se à inclusão, na própria contestação da empresa ré, de preliminar de ilegitimidade passiva”, considerou a ministra Nancy Andrighi. “Entretanto, o trabalho do advogado não se restringe à elaboração das peças processuais”, completou.

(…)

Para a ministra, cabem ao advogado “diversas outras providências, como realizar reuniões com o cliente, analisar a documentação apresentada na petição inicial e aquela que irá instruir a defesa, acompanhar o andamento do processo, manter entendimentos com os patronos da parte adversa etc.”

(…)

“Ademais, há de se levar em consideração a responsabilidade assumida pelo advogado ao aceitar o patrocínio de uma ação, sobretudo aquelas que possuam significativo conteúdo econômico. Ainda que o seu dever seja de meio e não de fim, o advogado responderá pelos danos que eventualmente causar ao cliente”, acrescentou a ministra.

(íntegra da notícia: http://www.stj.jus.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=106923)

 

Quer dizer, até a Ministra do STJ sabe que o trabalho não é somente de peticionar peças processuais… Embora alguns advogados pensem que basta fazer uma petição e podem encher a boca e afirmar: Sou advogado!

E vou além: Não devemos valorizar os advogados apenas por fazerem mais tarefas com clientes e conversar com a parte contrária. Devemos valorizar a profissão por ser complexa, exigir atualização constante, exigir que estejam conectados ao cliente de forma a conhecer o seu problema e o seu negócio (dependendo do caso – pessoa física ou jurídica), exigir que conhecam tecnologia, senão podem ficar a margem da própria profissão (veja o processo eletrônico) e por aí vai.

O advogado tem que jogar, atacar e defender. Tem que lidar com o cliente e suas angústias, sem perder o foco no seu negócio e no negócio do cliente, pensar em estratégias de marketing jurídico, estar alinhado com o mercado e negócios que podem surgir, sem esquecer de estudar e aprender e se reciclar e renovar em tecnologia… Ufa! Não podemos olvidar que advogado também tem família, mulher, marido, filhos, parentes e problemas pessoais… Quer dizer, percebendo esta realidade, como ofertar honorários de R$ 800,00 numa causa que vale mais de um milhão? No mínimo falta de bom senso, sem pensar na afronta ao artigo 20, parágrafo 3 do CPC:

Art. 20 – A sentença condenará o vencido a pagar ao vencedor as despesas que antecipou e os honorários advocatícios. Essa verba honorária será devida, também, nos casos em que o advogado funcionar em causa própria.

§ – Os honorários serão fixados entre o mínimo de 10% (dez por cento) e o máximo de 20% (vinte por cento) sobre o valor da condenação, atendidos: 

a)o grau de zelo do profissional;

b) o lugar de prestação do serviço;

c) a natureza e importância da causa, o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.

 

Como entidade de classe, devemos lutar contra o aviltamento dos honorários. A OABRS tem feito um trabalho pró-ativo neste sentido, conheça: http://www.oabrs.org.br/movimento_defesa_honorarios_advocaticios/

Além disto, devemos conscientizar os profissionais que a advocacia não é um recorta e cola de jurisprudências e peças.

É pensar o direito. 

É encontrar soluções adequadas ao cliente.

É lutar com todas as armas lícitas para defender os objetivos do cliente.

É ser partícipe do processo de justiça e evolução das leis.

É ser igual ao juiz, promotores e demais partes do processo, sem distinção.

Enfim, é ser indispensável a administração da justiça e muito mais!

 

O verdadeiro trabalho do advogado realmente é muito mais que peticionar, ministra! Só quem advoga sabe seus calos e prazeres, entretanto, se quisesse resumir a resposta da pergunta do título em uma só frase seria:

Qual é o verdadeiro trabalho do advogado?

Ser multifacetado sem deixar de ser focado no objetivo do cliente em prol da justiça.

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Artigo escrito por Gustavo Rocha – Sócio da Consultoria GestaoAdvBr

www.gestao.adv.br  |  gustavo@gestao.adv.br

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