[Departamento as Quintas] A crítica e o pensar

Todas as quintas-feiras publicamos no portal http://www.gestao.adv.br um artigo inédito sobre departamentos jurídicos e seus relacionamentos internos, com escritórios terceirizados e muito mais. Nos acompanhe!

Nosso foco hoje é sobre a crítica. Mas, afinal: Crítica ao quê? a quem?

Vamos esclarecer por primeiro: Nunca é crítica a quem, mas sempre ao quê, certo? Ou seja, não estamos pensando em criticar pessoas, mas sim procedimentos, padronizações, fluxos, etc.

Uma das principais dificuldades enfrentadas por gestores são as próprias equipes a serem geridas. Muitas ainda pendem de maturidade emocional para aceitar críticas, mudanças e principalmente tendem a acreditar que se algo vai ser modificado no seu trabalho é por incompetência da pessoa. Ledo engano. As mudanças são em sua maioria para melhorar os fluxos e procedimentos. A troca de pessoas se dá por outros motivos e também quando o colaborador não compreende o seu papel dentro do departamento jurídico.

Além deste fator de maturidade, um outro fator tem sido essencial nos departamentos atualmente: A falta de crítica ao que se faz em si.

Como assim?

Ora, são colaboradores que fazem mecanicamente as coisas, sem pensar efetivamente no que estão fazendo. Fazem como sempre fizeram, sem pensar se aquilo realmente é necessário e útil. Alguns exemplos e abaixo comentários:

* Recebem um documento e encaminham ao gerente jurídico, sem sequer analisar se aquilo poderia ter outro destino ou ainda, se poderia ter maiores informações;

Comentário: Se um gerente jurídico recebe uma intimação, por exemplo, o mínimo de informações que precisa é sobre o que se refere, contexto da situação e todas as informações internas disponíveis naquele momento. Se o colaborador recebe a intimação e já “joga” na mesa do gerente, está apenas transferindo papel de uma mesa para outra. O mesmo vale para perguntas e questionamentos: Precisamos filtrar, depurar, separar a informação e o mais importante de tudo: Pensar!

* Respondem emails as áreas internas no afã de uma resposta breve, concordando com algo que depois podem ter que mudar de ideia;

Comentário: Se fosse para responder apenas, emails não seriam considerados provas. Emails, além de ferramentas de trabalho, são ferramentas de comunicação e mais, de provas de que naquele momento o colaborador do departamento jurídico se posicionou de tal maneira. Antes de enviar um email, critique a situação, busque compreender quem solicitou, qual o seu interesse na resposta e mais, qual a finalidade útil da resposta. Se a decisão ficou difícil, deixe para alguém com mais experiência analisar. Lembre-se o mais importante do que uma resposta em cinco minutos é o pensar a informação dada!

*  Avocam responsabilidades para si que não são suas, apenas por acharem que são melhores que outros para fazê-las, deixando a todos sobrecarregados;

Comentário: Este problema muitas vezes é confundido com excesso de trabalho e/ou pessoas responsáveis ou capazes. Responsável é quem cumpre suas metas e objetivos e capaz é aquele que sabe seus limites e exerce o melhor dentro deles. Não precisamos de superhomens ou mulheres maravilha. Precisamos de seres humanos capazes de criticar a informação que recebem, extrair dela a sua finalidade/utilidade e pensar a respeito do que fazer para devolver as outras áreas ou terceirizados!

* Fazem lançamentos no sistema de gerenciamento de maneira sem pensar, colocando dados ali que não são úteis e/ou que não servem para nenhuma utilidade posterior;

Comentário: Para que perder tempo lançando dados inúteis? Ou pior, sem pensar, sem nenhum tipo de filtro? Daí temos aqueles relatórios maravilhosos, que fazem bolachas de excel e tudo mais e que no final das contas é só informação inútil… Precisamos primeiro pensar naquilo que queremos extrair nos relatórios, que queremos informar a direção da empresa, que queremos cobrar dos terceirizados para depois lançarmos dados, indicadores, informação útil e necessária dentro do sistema. Sistema não é brinquedo… Sistema é um gerenciador que somente poderá ser útil se nós o transformarmos em tal.

* Ao repassarem informações aos terceirizados acatam todos os seus pedidos, fazem tudo que eles querem, sem realmente criticar de quem é aquele trabalho, de quem é aquele papel na seara de trabalho;

Comentário: Vislumbramos estes papéis as vezes confusos e/ou trocados. Se contratamos alguém para fazer um parecer, o papel do departamento é dar subsídios e não fazer um pré-parecer e depois receber algo com um parágrafo a mais com assinatura de outro. Os departamentos tem orçamentos apertados em relação a pessoal, precisamos objetivar o trabalho deles para que junto com a sistematização interna, o gerenciamento sistêmico, possamos extrair mais das mesmas pessoas. Gestão e tecnologia estratégicas fazem a diferença.

Ou seja,

Fazer crítica aos procedimentos é pensar os procedimentos.

Vamos então exercer tudo que foi dito neste artigo: Critique! Ou melhor, pense nos atos e atitudes. O profissionalismo agradece.

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Artigo escrito por Gustavo Rocha – Diretor da Consultoria GestaoAdvBr
http://www.gestao.adv.br gustavo@gestao.adv.br

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