O poder da língua portuguesa no ambiente corporativo, por Polliana Giraldello

Certamente você já deve ter lido a composição abaixo:
“Vírgula pode ser uma pausa… ou não.Não, espere.Não espere…
Ela pode sumir com seu dinheiro.23,4.2,34.
Pode criar heróis.Isso só, ele resolve.Isso só ele resolve.
Ela pode ser a solução.Vamos perder, nada foi resolvido.Vamos perder nada, foi resolvido.
A vírgula muda uma opinião.Não queremos saber.Não, queremos saber.
A vírgula pode condenar ou salvar.Não tenha clemência!Não, tenha clemência!”
A forma como nos expressamos, principalmente na forma escrita, tem o poder de salvar ou condenar, e quando se fala de corpo funcional, tem o poder de motivar ou desmotivar.
Vou dar um exemplo, para ilustrar o que estou falando:
A empresa “X”, sempre apontada como “top of mind” no setor onde atua, e no mercado onde está inserida, um belo dia teve alguns probleminhas com energia elétrica: uma peça importante, que garantia o funcionamento de todo seu maquinário, estragou.
Como a tal peça demoraria para chegar, foram buscadas soluções paliativas para evitar a sobrecarga de energia até que o problema fosse sanado.
Para que a clientela não sofresse os prejuízos diretamente, foi determinado que o máximo de lâmpadas permanecesse durante todo o expediente desligadas, que o corpo funcional passasse a utilizar as escadas para chegarão seu local de trabalho, poupando os elevadores, e que os aparelhos de ar condicionado permanecessem desligados.
Com o transtorno gerado, logo instalou-se um burburinho no ambiente de trabalho: alguns empregados afirmavam que a situação se estenderia por meses, outros empregados diziam que tinham a informação “quente”de que levaria 35 dias para que o consumo pudesse voltar ao normal,outros falavam que a peça viria de São Paulo, outros diziam que viria daAlemanha, e por fim, outros, da Nova Zelândia (que telefone sem fio, não?).
Apesar das dificuldades apresentadas pela redução na utilização da energia elétrica, a empresa ia seguindo seu rumo, sem maiores transtornos: os empregados chegavam esbaforidos e suados por subir mais de 5 andares de escada para chegarem ao seu posto de trabalho, o calor no prédio era terrível, mas diante da adversidade, os empregados procuravam fazer o melhor possível, dentro das condições que se apresentavam.
Depois de 3 dias passando por essa situação, foi encaminhado e-mail a todos os empregados, com a seguinte frase: “os aparelhos de ar condicionado para conforto humano devem permanecer desligados”.
Os procedimentos que até então vinham sendo seguidos já contemplavam anão utilização do ar condicionado. Mas aquela mensagem, enviada daquela forma, dando margem para ampla interpretação, gerou grande comoção entre grande parte dos colaboradores, que se sentiram preteridos, no sentido de que, alguns entenderam que o conforto dos empregados não era importante para a empresa, para outros, era algo menos polêmico,no sentido de que apenas os aparelhos destinados a resfriamento dos servidores deveria permanecer ligado, para evitar mais um apagão.
E o assunto deu pano pra manga até que a luz voltou com tudo, ou melhor,como “represália” à empresa, todos acabaram ligando os aparelhos de ar condicionado, mesmo a ordem sendo contrária, e então foi verificado que uma solução provisória encontrada para o problema dava conta da carga utilizada cotidianamente, até que a nova peça fosse providenciada.
Contudo, o descontentamento que deveria ser passageiro permaneceu,apesar da volta do “conforto humano”.
Como já me estendi demais, gostaria apenas de enfatizar o quanto se faz necessário refletirmos antes de escrevermos, principalmente quando essa informação será repassada para um número grande de pessoas, afinal de contas, só nós mesmos temos a plena consciência da mensagem que queremos transmitir e muitas vezes não temos a noção exata de como o leitor interpretará essa mensagem.

Polliana Giraldello

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